Caderno · Caderno nº 1

A rosa fora da redoma

Mundo Planville®

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Uma placa cerâmica passa no laboratório. Depois ela conhece o vento.

No laboratório, a placa cerâmica é perfeita. Temperatura controlada, umidade controlada, um ensaio de cada vez. Ela passa em tudo.

Retirá-la de sua redoma significava perceber que, fora dela, existiam o vento, o tempo e inúmeras outras ameaças e interações. Assim também acontece com uma placa cerâmica: quando sai do laboratório e encontra uma edificação, passa a conviver com argamassas, substratos, deformações, umidade, vento, chuva e os inúmeros agentes degradantes do cotidiano.

Não é. Vento não tem culpa, tem pressão. O que falha é a ideia de que um material pode ser julgado sozinho. Numa fachada nada está sozinho: a placa depende da argamassa, que depende do substrato, que depende da estrutura, que se deforma todo dia um pouco.

Nada mudou nela. Mudou o mundo em volta.

Por isso um laudo começa olhando o prédio inteiro, e não a peça que caiu. A peça é só quem avisou.

Quem teve paciência de observar antes de afirmar. É menos glamoroso que um drone, e resolve mais.

Fim · de volta à órbita

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